Mulheres na Economia Criativa

Mulheres na Economia Criativa: A Força que Impulsiona o Brasil e o Compromisso da REC Brasil

No mês em que celebramos o Dia Internacional das Mulheres, a Rede de Economia Criativa Brasil (REC Brasil) reafirma seu compromisso com a equidade de gênero e a valorização das trajetórias femininas que sustentam a cultura e a inovação no país. Embora o cenário apresente avanços, os dados revelam que o caminho para a igualdade plena ainda exige ações estratégicas e governança participativa.

O Panorama da Força de Trabalho Feminina

A presença feminina é um pilar de sustentação do setor criativo brasileiro. Estima-se que existam cerca de 3,5 milhões de mulheres atuando formal e informalmente na Economia Criativa no Brasil. Entre 2017 e 2024, a participação feminina no setor cresceu cerca de 12%, superando o ritmo de entrada dos homens no mesmo período.

Atualmente, as mulheres ocupam aproximadamente 46% do total de postos de trabalho criativos, com concentrações expressivas em segmentos específicos:

  • Moda e Design: 72% de presença feminina.
  • Artesanato e Gastronomia: 68%.
  • Arquitetura: 61%.

Desafios Estruturais e o “Teto de Vidro”

Com base nos dados sistematizados pelo Conselho Gestor da REC Brasil, os segmentos da economia criativa com as menores concentrações de mulheres são:

Publicidade e Mídias: Apresenta uma participação de 41%. Embora haja um relativo equilíbrio em cargos operacionais, a fonte observa que ainda existe um déficit significativo na gestão e liderança dessa área. Apesar da alta representatividade, o setor ainda enfrenta barreiras sistêmicas. Segundo dados do LinkedIn, embora representem 45,2% da força de trabalho geral, as mulheres ocupam apenas 32,2% dos cargos de decisão. Na Economia Criativa, o cenário é similar: apenas 31% dos cargos de diretoria em grandes empresas criativas são ocupados por mulheres.

Tecnologia (TI/Games): Este setor apresenta a maior lacuna de gênero, com apenas 20% de presença feminina. As fontes destacam que este é o segmento com o maior déficit de participação das mulheres em todo o setor criativo.

Outro ponto crítico é a desigualdade salarial: mulheres criativas ganham, em média, 25% menos que homens exercendo as mesmas funções. Além disso, a interseccionalidade revela abismos ainda maiores. Enquanto mulheres brancas no setor recebem em média R$ 4.200,00, as mulheres negras que somam 1,4 milhões de trabalhadoras na área recebem menos de R$ 2.100,00.

REC Brasil: Liderança Feminina na Prática

A REC Brasil não apenas analisa esses dados, mas atua diretamente na transformação dessa realidade. Desde março de 2024, a organização vive um marco histórico: o seu Conselho Gestor é formado exclusivamente por mulheres, e os Conselhos Consultivo e Fiscal operam com equidade.

Nomes como Djane Borba (Artista e Produtora na Imaginoart), Rose Meusburger (Gestora de Empreendimentos Criativos/Gaia Brasil), Fernanda Bellinaso, (artista plástica e educadora), Mona Rikumbi (atriz e ativista), Daniele Torres (Captadora de Recursos), Adriana Belic (Produtora Musical) e Nilda Maria (Deslocamento Criativo) lideram as decisões estratégicas da Rede. Essa governança feminina reflete-se no público beneficiário das ações da REC Brasil, onde cerca de 55% dos participantes de oficinas e eventos são mulheres.

Projetos que Geram Impacto e Autonomia

A atuação da REC Brasil se desdobra em projetos que fortalecem a identidade e a sustentabilidade financeira feminina:

A Economia Criativa como Ferramenta Contra a Violência

A valorização da mulher no mercado criativo possui um impacto social profundo. Em um país que registrou 1.467 feminicídios em 2023 (um a cada 6 horas), a independência financeira é uma das principais ferramentas para romper ciclos de violência.

Ao capacitar mulheres e fomentar o empreendedorismo, a REC Brasil oferece não apenas uma rota de geração de renda, mas uma rede de apoio e acolhimento. A economia criativa atua, assim, como uma força regenerativa que promove a dignidade e o desenvolvimento regional sustentável.

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Fontes de dados: Observatório Itaú Cultural, FIRJAN, IBGE (PNAD Contínua/Censo 2022), LinkedIn Notícias, e Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2024).

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