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REC Brasil e Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge na Roda de Prosa “Giros Criativos – Cultura em Movimento no XXV Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros

Fotos @michellymatoss

A Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, que em 2023 foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Goiano, sediou momentos ricos no XXV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. Um desses momentos aconteceu no dia 17 de setembro, das 14h às 16h, quando a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge abrigou a Roda de Prosa “Giros Criativos – Cultura em Movimento”, que foi um espaço para o diálogo e a troca de experiências entre os palestrantes,  mestres, grupos culturais, poder público e a comunidade.

A Roda foi composta por: Djane Borba, que é a Presidente da Rede de Economia Criativa Brasil (REC Brasil), além de ser artista multimídia, cantora, curadora e ativista da Criatividade e Diversidade; Décio Coutinho, representante do Iphan, especialista em Cidades Criativas e Economia Criativa1, membro do Conselho Consultivo da REC Brasil e autor da metodologia “Giros Criativos”, e Liane Preuss diretora de projetos do Laboratório de Ação Social, coordenadora pedagógica do encontro. Liane atuou como mediadora do debate, representando a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, e é identificada como Agente Cultura Viva na Chapada dos Veadeiros. A discussão contou ainda com a presença e participação da Vereadora Katia Maria, de Goiania, da vereadora Teia Santo (representante da comunidade da Vila de São Jorge), do Secretário de Turismo de Guarani, Toquinho Moreira, além de artesãos da comunidade Kalunga e artistas e produtores de várias regiões, incluindo Alto Paraíso de Goiás.

A Metodologia Giros Criativos: Cultura em Linguagem Afetiva

A mesa de debates deu destaque imediato a Décio Coutinho, autor da metodologia central que guiará a parceria entre os Pontos de Cultura: “Giros Criativos”.

Décio Coutinho, explicou a origem de sua metodologia, fundamental para garantir que a economia criativa seja compreendida por aqueles que detêm a criatividade — principalmente as comunidades tradicionais.  Ele questionou: “Como você fala de economia criativa se os que têm a criatividade não te entendem?”. A resposta foi adaptar a linguagem, correlacionando os estágios da metodologia com a forma como se dançam os Giros de Folia. Assim como os foliões visitam casas para levar a mensagem divina e celebrar a união, os “Giros Criativos” levam conhecimentos de economia criativa para as comunidades com uma linguagem simples e afetiva, onde a participação conjunta é essencial para o florescimento do setor.

Aprofundando os Cinco Giros

A metodologia é estruturada em cinco etapas contínuas para o desenvolvimento territorial:

1. 1º GIRO – Alvorada: Focado na Sensibilização e Despertar para a Cidade Criativa, iniciando com reuniões com lideranças locais e prefeituras.

2. 2º GIRO – Cantorias e Partida: Consiste na fixação e aprofundamento dos conceitos de cidades criativas, seguido por um Seminário e uma oficina de planejamento para a construção do Mapa de Jornada.

3. 3º GIRO – Cortejos e Visitas às Casas: Momento de aplicação inicial do Mapa de Jornada, celebração de parcerias e o estabelecimento da FOLIA (Força Local de Inovação e Ação), visando arregimentar recursos e definir parceiros.

4. 4º GIRO – Jornada e Pousos: A FOLIA atua em ação plena, aplicando o Mapa de Jornada, com foco nas ações de maior transformação e capacitação dos talentos locais. Esta etapa deve durar no mínimo 12 meses.

5. 5º GIRO – Entrega e Celebração: Momento de monitoramento e avaliação, entrega dos resultados, celebração e definição das novas etapas de continuidade, incluindo a formação da Rede das FOLIAS e o início de novos ciclos.

Décio Coutinho ainda reforçou o espírito de recomeço e confluência de saberes com citações inspiradoras, como a de Cora Coralina: “Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.”. E a importância da união e dos saberes tradicionais, com a fala de Nego Bispo do Rosário: “Nessa confluência de saberes, formamos os quilombos, inventados pelos povos afro confluentes, em conversa com os povos indígenas. No dia em que os quilombos perderem o medo das favelas, que as favelas confiarem nos quilombos e se juntarem às aldeias, todos em confluência, o asfalto vai derreter!”.

A REC Brasil, foi apresentada por sua presidente, Djane Borba (artista multimídia, cantora, curadora e ativista da Criatividade e Diversidade), como uma Organização da Sociedade Civil (OSC) com 10 anos de atuação, fundada em 2014, e reconhecida como Ponto de Cultura desde 2020, com a missão de fomentar o empreendedorismo e usar a Economia Criativa como ferramenta de desenvolvimento econômico no Brasil. A OSC vem promovendo conexões criativas em todo o território nacional.


Djane defendeu um paralelo reflexivo entre a Economia Criativa e a Economia Solidária, argumentando que embora sejam conceitos distintos, os projetos desenvolvidos pela REC Brasil tem como base parcerias que demonstram que é totalmente possível que eles se cruzem e se complementem.

Essa convergência permite que princípios da economia solidária, como cooperação, valorização do trabalho e dos saberes locais, e o forte foco no impacto social e ambiental, sejam aplicados em negócios criativos, criando modelos mais inclusivos e sustentáveis.

 Atendendo às reflexões levantadas, apresentou o conceito de economia criativa adotado pela organização, seguindo a definição da ONU que a indica como um conceito em desenvolvimento, citando a própria Chapada dos Veadeiros e o Encontro de Culturas como ecossistemas exemplares. Em sua fala, ela destacou a parceria estratégica que está sendo desenvolvida com a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge e citou o resumo do projeto em que ambas as instituições estão desenvolvendo baseado na metodologia de Decio Coutinho: o “TERRITÓRIOS CRIATIVOS – CHAPADA DOS VEADEIROS CRIATIVA”. Este projeto foca no desenvolvimento sustentável da região pela economia criativa, buscando qualificar atores locais, gerar renda e valorizar a diversidade cultural e as comunidades tradicionais.

Djane invocou o conceito africano Ubuntu (“uma pessoa só é uma pessoa por causa das outras pessoas”), ressaltando a importância da identidade e comunidade para a criatividade humana como elemento essencial em tempos de Inteligência Artificial.

Liane Preuss , diretora de projetos do Laboratório de Ação Social, desempenhou um papel essencial na Roda de Prosa “Giros Criativos – Cultura em Movimento” ao atuar como mediadora do debate.

Ela representou a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, instituição que é um Pontão de Cultura na categoria “Culturas Indígenas e Mãe Terra”. Durante sua participação, Liane trouxe dados do Pontão de Cultura e abordou o tema da circularidade. Sua presença, identificada como Agente Cultura Viva na Chapada dos Veadeiros, reforçou o foco da Roda no segmento “Cultura Viva em Movimento”, que é um pilar do trabalho da REC Brasil e da Casa de Cultura, ambas reconhecidas como Pontos de Cultura. Liane também participou das reuniões virtuais preliminares do grupo de trabalho que deu início à parceria estratégica entre a REC Brasil e a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge

A participação popular e política foi robusta. A Vereadora Katia Maria esteve presente, ressaltando o papel dos povos tradicionais como os maiores guardiões da diversidade brasileira. A Vereadora Teia, representante da comunidade da Vila de São Jorge, trouxe à discussão a necessidade de um turismo consciente e as dúvidas da população sobre como a economia criativa funciona na prática. O Secretário de Turismo de Guarani, Toquinho Moreira, demonstrou posição de acordo com as reflexões sobre turismo sustentável.

O debate contou com a presença de artesãos da comunidade Kalunga e artistas e produtores de Alto Paraíso de Goiás. A atriz, educadora e proprietária do espaço A Barca Coração, Lia, trouxe o exemplo vívido do crescimento e da especulação imobiliária no território, mencionando que seu espaço cultural corre o risco de fechar para dar lugar a um supermercado.


Ainda sobre turismo x cultura e eventos, tema que recebeu muitas contribuições, Djane citou a frase da artivista Mona Rikumbi “Inclusão é quando me convidam para festa, integração é quando me convidam para dançar, mas pertencimento é quando eu entendo que essa festa também é minha.”  A conversa culminou no consenso de que a economia criativa, quando integrada à comunidade, é um elemento poderoso para o crescimento sustentável.

A Roda de Prosa fortaleceu a parceria estratégica firmada entre a Rede de Economia Criativa Brasil (REC Brasil), uma OSC com 10 anos de atuação, Ponto de Cultura e muita experiência no desenvolvimento de projetos e parcerias e a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, Pontão de Cultura premiado e realizadora do renomado Encontro.  Essa aproximação reforça a ideia de que o fortalecimento de redes entre Pontos de Cultura impulsiona o desenvolvimento cultural e econômico em todo o país, em total consonância com os princípios do Programa Cultura Viva e do Plano Nacional de Cultura (PNC).

à direita Djane (Rede de Economia Criativa Brasil) e Tila (Presidente da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge) se abraçam no final da Roda de Prosa que movimentou a comunidade local.

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