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Mestra Vânia Oliveira: A Primeira Embaixadora da Rede de Economia Criativa Brasil

Maceió foi o cenário de um marco histórico para a cultura e a economia do país: a nomeação da Mestra Vânia de Oliveira como a primeira Embaixadora da Rede de Economia Criativa Brasil.

O anúncio oficial ocorreu em janeiro de 2026, após um encontro emocionante entre a atual presidente da Rede, Djane Borba, e a Mestra no Pavilhão do Artesanato de Pajuçara e em seu vibrante ateliê. Com esta nomeação, Alagoas torna-se o primeiro estado a abraçar esta iniciativa que une saberes tradicionais, economia solidária e força criativa junto à REC-Brasil.

Uma Ligação Histórica e Afetiva

Embora celebrada agora, a relação entre Mestra Vânia e a REC Brasil é antiga. Este laço começou a ser tecido em 2012, iniciado por Fernanda Bellinaso. Naquele ano, ambas participavram do Colegiado Setorial do Artesanato, com Fernanda representando a REC BR/São Paulo e Mestra Vânia representando Alagoas.

Essa parceria de décadas deu frutos em 2025 com a indicação da Mestra para o programa, culminando na assinatura do Termo de Nomeação e Parceria nº 1, em 25 de fevereiro de 2026. O documento sela o compromisso de transformar o patrimônio imaterial em força motriz para um futuro inovador e sustentável, garantindo que a Mestra atue como um elo entre a tradição e as novas dinâmicas da economia criativa contemporânea.

Mestra Vânia: Um Pilar da Economia Criativa em Alagoas

Nascida em 1957 e herdeira de uma linhagem de bordadeiras, Vânia Oliveira transformou o “dom do artesanato” em uma ferramenta poderosa de transformação social e política. Reconhecida como Patrimônio Vivo de Alagoas (2015) e Mestra Imortal do Brasil (2020) pela IOV/UNESCO (Organização Internacional de Folclore e Artes Populares), sua trajetória é o exemplo prático de como a criatividade pode gerar desenvolvimento econômico sustentável.

Os principais aspectos que consolidam sua importância como Embaixadora para a Economia Criativa incluem:

Sustentabilidade e Inovação: Mestra Vânia Oliveira é pioneira em aliar a preservação ambiental ao artesanato tradicional. Sua arte é marcada pela fusão entre a identidade cultural e a consciência ecológica, utilizando o reaproveitamento de materiais descartados (como retalhos, espelhos e sucatas) para criar os icônicos chapéus de Guerreiro e outras peças do folclore alagoano.

Educação e Repasse de Saberes: Formada em Pedagogia aos 52 anos para melhor ensinar seu ofício, ela acredita que a arte não pode morrer com o artista. Através de oficinas no Centro de Belas Artes (Cenarte) e em projetos como o Instituto Engenho de Ideias (IEDI), ela capacitou professores, jovens e mulheres em situação de vulnerabilidade, transformando o artesanato em fonte de renda e cidadania.

Liderança e Políticas Públicas: Com uma atuação que vai muito além do ateliê, Vânia já presidiu a Federação das Associações e Cooperativas dos Artesãos de Alagoas (FALARTE) e a Associação dos Artesãos Criativos de Alagoas (AACAL). Ela teve papel fundamental na elaboração do Plano Nacional do Artesanato (2016-2025), levando as demandas de Alagoas para fóruns nacionais.

Preservação da Memória Viva: Em 2025, sua colaboração foi vital para a culminância do grupo Guerreiro Grande Poder, onde assinou a criação dos chapéus e figurinos, unindo gerações em torno da resistência cultural alagoana.

Como Embaixadora, Mestra Vânia terá o mandato de cinco anos para representar a REC Brasil em fóruns nacionais e internacionais, promovendo a cultura popular como pilar da economia nacional e incentivando novos empreendedores criativos a valorizarem suas raízes. Sua nomeação é, acima de tudo, o reconhecimento de que o saber popular é, sim, uma potência econômica essencial para o Brasil

Nós, da Rede de Economia Criativa Brasil trouxemos ainda alguns destaques respondendo perguntas que também podem interessar ao leitor.

Como a Mestra Vânia utiliza materiais reciclados em suas obras artísticas?

Mestra Vânia Oliveira integra a preservação ambiental à cultura tradicional ao utilizar o reaproveitamento de materiais descartados como uma ferramenta central de sua expressão artística e pedagógica. Para ela, a reciclagem é uma forma de ressignificar o que iria poluir o meio ambiente, transformando “lixo” em arte e instrumentos de ensino.

A utilização de materiais reciclados em suas obras ocorre de diversas formas:

Adereços e Peças de Folclore: Seus icônicos chapéus de Guerreiro possuem estruturas feitas com garrafas PET e papel de jornal, além de acabamentos com fitas e espelhos. O Bumba Meu Boi é construído com bases de caixa de papelão, pedaços de malha e fuxico, enquanto bonecas gigantes de 1,80m são confeccionadas com jornais e revistas.

Brinquedos e Materiais Pedagógicos: Desde a década de 1990, ela desenvolve jogos e brinquedos educativos feitos de sucata para capacitar professores e ensinar crianças. Seu trabalho de conclusão em Pedagogia focou justamente na articulação entre arte e educação através de livros de pano e brinquedos reciclados.

Mobiliário e Objetos Utilitários: Mestra Vânia cria peças diversificadas como pufes de garrafa PET, banquinhos, sofás, porta-lápis e suportes para livros utilizando embalagens de leite achocolatado, papelão e restos de madeira. Ela também produz miniaturas de carros, cinzeiros, castiçais e até “vestidos” feitos com restos de latas de bebidas.

Decoração Temática: No projeto “Natal Ecológico”, ela produz enfeites e árvores de Natal utilizando garrafas PET e papel de revista, demonstrando que a arte de alta qualidade não precisa de materiais caros.

“É uma mestra que entende que cultura popular não é apenas expressão estética — é resistência, é identidade, é economia, é política. Sua voz vem, por décadas, ecoando em plenárias, feiras, congressos e conferências — porque ela não quer apenas criar, quer transformar a estrutura que sustenta a cultura popular.”

A Mestra mantém o hábito de andar sempre com uma sacola para recolher materiais nas ruas que possam ser transformados em arte, uma prática que também incentiva em seus alunos. Essa abordagem une a economia solidária à consciência ecológica, provando que “nada se perde, tudo se aproveita” no fazer artesanal.

Como foi o papel da Mestra no Plano Nacional do Artesanato?

O papel da Mestra Vânia Oliveira no Plano Nacional do Artesanato (também referido como Plano Setorial do Artesanato 2016-2025) foi fundamental, atuando como uma das principais vozes políticas do segmento em nível federal.

Seu envolvimento e contribuições podem ser detalhados nos seguintes pontos:

Representação Titular no CNPC: Mestra Vânia foi a única representante de Alagoas a ocupar um assento titular no Colegiado Setorial do Artesanato, vinculado ao Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC), durante o mandato de 2012 a 2014. Nessa posição, ela foi a responsável por levar as demandas dos artesãos alagoanos para o fórum nacional e cobrar a implementação de políticas públicas necessárias para o setor.

Elaboração do Plano Setorial: Como membra titular do Colegiado, ela colaborou diretamente na elaboração do Plano Setorial do Artesanato, um documento estratégico formulado em 2016 para orientar as políticas do setor até 2025.

Construção da Base Conceitual: A Mestra participou ativamente da construção da Base Conceitual do Artesanato Brasileiro (Portaria nº 1.007 de 2018), que define os parâmetros técnicos e conceituais do que é considerado artesanato no país. Em 2025, ela continuou essa atuação como representante da FALARTE no Grupo de Trabalho de readequação dessa mesma Base.

Pioneirismo na Capacitação Nacional: Em 2012, ela foi a primeira artesã alagoana selecionada para ministrar cursos em âmbito nacional pelo Plano Nacional de Capacitação de Artesãos. Ela aplicou metodologias vivenciais em planejamento, gestão e comercialização para coordenadores e artesãos em cidades como Recife, João Pessoa e Brasília.

Diagnóstico e Planejamento Estratégico: Entre 2021 e 2023, Mestra Vânia integrou grupos de discussão e entrevistas para o projeto de Estruturação do Sistema de Gestão do Artesanato Brasileiro, uma iniciativa do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) para identificar problemas e aperfeiçoar a legislação federal do setor.


Em resumo, sua atuação foi muito além da criação artística, consolidando-se como uma líder e articuladora política que ajudou a desenhar as estruturas que sustentam o artesanato brasileiro atualmente.

Conheça os projetos sociais e culturais fundados pela Mestra Vânia.

Mestra Vânia Oliveira desenvolveu uma trajetória marcada pela criação e liderança de iniciativas que utilizam a arte e a cultura como ferramentas de transformação social e política.

Os principais projetos fundados ou liderados por ela incluem:

Instituto Engenho de Ideias (IEDI): Fundado em 2004 em parceria com outros colaboradores, o instituto é dedicado a transformar comunidades por meio da arte, cultura e educação. O IEDI foca no fortalecimento do pertencimento e do protagonismo social dos cidadãos.

Ponto de Cultura Fala Quilombo: Considerado seu projeto mais emblemático, atua em Santa Luzia do Norte. O espaço oferece oficinas diversificadas, como percussão, culinária afro-brasileira, informática e artesanato para todas as idades. Além da vertente cultural, o projeto possui um forte impacto social, realizando, por exemplo, a entrega semanal de leite para famílias em situação de vulnerabilidade.

Engenho de Influencers: Realizado em 2025 sob a direção da Mestra e através do IEDI, este projeto ofereceu workshops de capacitação para adolescentes e jovens em educomunicação, criação de conteúdo, audiovisual e inovação social.

Oficinas de Artesanato e Reciclagem: Desde a década de 1990, Vânia fundou e coordenou diversos núcleos de aprendizado, como as oficinas de brinquedos de sucata e material pedagógico para professores e crianças com necessidades especiais. Sua metodologia busca garantir que o saber popular não morra com o artista, promovendo o repasse de conhecimento como forma de geração de renda e cidadania.

Além desses projetos diretos, Mestra Vânia teve um papel fundamental na estruturação e liderança de entidades representativas, como a FALARTE (Federação das Associações e Cooperativas dos Artesãos de Alagoas) e a AACAL (Associação dos Artesãos Criativos de Alagoas), onde atuou para fortalecer a rede de proteção e visibilidade do artesanato alagoano. Em 2025, ela também foi peça-chave na culminância do grupo Guerreiro Grande Poder, contribuindo para a preservação da memória viva dos folguedos.

Quais são as atribuições da Mestra como embaixadora da REC-Brasil?

Como a primeira Embaixadora da Rede de Economia CriativaBrasil, representando o estado de Alagoas, Mestra Vânia Oliveira assume o papel fundamental de ser um elo entre a tradição e as novas dinâmicas da economia criativa contemporânea.

As suas principais atribuições e responsabilidades, conforme estabelecido no Termo de Nomeação e Parceria, incluem:

Representação Institucional: Representar a REC Brasil em eventos e articulações políticas, bem como em fóruns nacionais e internacionais. Nessa função, ela deve promover a cultura popular como um pilar essencial da economia nacional.

Mentoria e Transmissão de Saberes: Continuar seu papel de guardiã de conhecimentos tradicionais, incentivando o surgimento de novos empreendedores criativos que valorizem as raízes brasileiras.

Promoção da Consciência Ambiental: Disseminar práticas de produção artesanal que respeitem o meio ambiente, unindo a expressão artística à preservação ecológica através do reaproveitamento de materiais.

Fortalecimento da Marca e Divulgação: Empenhar-se na promoção da REC Brasil em suas redes profissionais (como o LinkedIn) e citar sua condição de embaixadora em entrevistas e eventos para fortalecer a causa institucional. Ela tem o direito de utilizar o selo institucional e o certificado digital de nomeação em seus materiais de divulgação.

Articulação Estratégica: Atuar como força motriz para transformar o patrimônio imaterial em inovação e sustentabilidade, facilitando “pontes” entre o saber popular e investidores ou novos mercados.

Em resumo, sua missão é levar a riqueza cultural de Alagoas para todo o país, provando que o artesanato e os saberes tradicionais são motores vitais para o desenvolvimento socioeconômico.

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