Presidente da REC Brasil, Djane Borba, integra painel sobre políticas públicas, IA e combate à desinformação em evento internacional na USP
No dia 3 de setembro, a Rede de Economia Criativa Brasil (REC Brasil) marca presença como uma das patrocinadoras do III Encontro Internacional das Cidades Inteligentes às Cidades MIL — Inovação, Inteligência Artificial, Planeta e Sociedade, promovido pelo Centro Internacional de Inovação e Desenvolvimento de Cidades MIL da Universidade de São Paulo (CIIDCMIL-USP), com apoio da Prefeitura de São Paulo e da Universidade Zumbi dos Palmares. Além do apoio institucional, a presidente da REC Brasil, Djane Borba, também participa como palestrante.

Djane integra o Painel 1, das 10h às 11h10. Ao lado dela na mesa: o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias; a deputada Bruna Furlan; Beth Carmona, vice-presidente da Fundação Padre Anchieta e gestora da programação da TV Cultura; a estrategista de conteúdo Rebecca Gomes; e o secretário de Inovação e Tecnologia de Barueri, Jonatas Randal. A mediação é da Profa. Dra. Rita de Cássia de Lima de Castro (CIIDCMIL-USP).
O tema do painel: políticas públicas, aspectos jurídicos, indicadores de cidadania, transparência dos algoritmos e o combate à desinformação e ao discurso de ódio nas Cidades MIL em tempos de Inteligência Artificial.
O evento é gratuito e aberto ao público, com inscrição prévia. Confira a programação completa https://www.ciidcmil.com.br/programa%C3%A7%C3%A3o e acompanhe também o perfil oficial do evento no Instagram, [@cidadesmilusp], para atualizações sobre os painéis e palestrantes.
Para quem atua na economia criativa, entender o que são as Cidades MIL — e por que esse debate importa — é essencial. Explicamos abaixo.
O que são as Cidades MIL?
O paradigma Cidades MIL (Media and Information Literacy — Alfabetização Midiática e Informacional) foi proposto pela UNESCO em 2018 como um modelo de cidade que usa tecnologia a serviço do desenvolvimento humano, com ética, respeito à diversidade e pensamento crítico como base — e não como consequência.
Diferente de outros paradigmas urbanos, como o de “cidade inteligente”, que colocam a tecnologia no centro, as Cidades MIL colocam o cidadão no centro. O modelo se apoia em 13 indicadores — que vão de bibliotecas e mobilidade até inteligência artificial, cultura e grupos vulneráveis — e reconhece cinco agentes de inovação social responsáveis por transformar as cidades: governo, empresas, academia, artistas e cidadãos comuns.
É aqui que a economia criativa entra como protagonista, não como coadjuvante: o artista é, formalmente, um dos cinco pilares que sustentam esse modelo de cidade.
Um dos objetivos centrais das Cidades MIL é educar a população para reconhecer e enfrentar o que a UNESCO chama de infodemia — o conjunto de fake news, deepfakes, pós-verdades e discursos de ódio que hoje se espalham tão rápido quanto uma doença, e que podem ser igualmente perigosos para a vida em sociedade.
Por que as Barreiras Culturais à Comunicação importam
Muito do que alimenta a desinformação e o discurso de ódio não nasce da tecnologia em si, mas de barreiras culturais que já existem na sociedade — e que a tecnologia apenas amplifica.

O pesquisador Felipe Chibás Ortiz, referência internacional no tema e um dos organizadores do encontro de 3 de setembro, desenvolveu uma metodologia reconhecida pela UNESCO para diagnosticar essas barreiras: as 20 Barreiras Culturais à Comunicação. Entre elas estão o etnocentrismo (valorizar excessivamente a própria origem), o sexismo, o religiocentrismo (considerar apenas a própria religião como detentora da verdade), a intolerância à diversidade funcional e o preconceito contra origem rural ou urbana.
Identificar essas barreiras em uma cidade é o primeiro passo para desenhar políticas públicas capazes de combater a desinformação e o discurso de ódio pela raiz — e não apenas na superfície, quando o dano já foi feito.
Uma voz da economia criativa nesse debate
A participação de Djane Borba no painel representa a economia criativa brasileira em um debate que, historicamente, é dominado por especialistas em tecnologia e direito. Sua presença — somada à sua trajetória como coautora da pesquisa “Métricas de Espiritualidade e Religião e sua influência na Saúde na perspectiva das Cidades MIL” (páginas 440 a 464 do livro Cidades MIL: Indicadores, Métricas e Casos, USP/UNESCO) — e sua experiência internacional como artista, reforça um ponto central para a REC Brasil: quem produz cultura também produz conhecimento sobre a cidade em que vive, e precisa estar na mesa onde essas políticas são desenhadas.
Ao se unir a outras instituições patrocinadoras do evento, a REC Brasil reafirma seu compromisso com esse debate: não basta estar representada — é preciso investir para que esse espaço de discussão exista e continue crescendo.
Acompanhe a cobertura completa no perfil da REC Brasil e no Instagram oficial do evento, [@cidadesmilusp]([LINK DO POST/PERFIL NO INSTAGRAM]).