No dia 7 de agosto de 2026, o Brasil perdeu uma de suas vozes mais potentes e luminosas: Érica Andrea Martins, a Mona Rikumbi. Bailarina, atriz, militante e membra do Conselho Consultivo da Rede de Economia Criativa Brasil, ela deixa um legado que transcende a arte e se inscreve na história da representatividade e da resistência.
Uma trajetória marcada pela ancestralidade
Mona Rikumbi, cujo nome significa “filha do sol” em kimbundu, sempre fez da sua vida uma celebração da ancestralidade africana. Desde cedo, envolveu-se com teatro e dança, organizando produções comunitárias e levando a cultura para espaços muitas vezes esquecidos.
Sua presença no Theatro Municipal de São Paulo, em 2017, como a primeira bailarina negra cadeirante a se apresentar naquele palco, foi um marco histórico. Mais do que uma conquista pessoal, foi um ato coletivo de afirmação: o corpo negro e o corpo com deficiência ocupando o centro da cena.
Superação e força
Diagnosticada com neuromielite óptica, Mona Rikumbi transformou a dor em potência. A cadeira de rodas não foi um limite, mas um novo caminho para reinventar a dança e o movimento.
Militância e legado
Como militante do movimento negro e defensora das tradições de matriz africana, Mona Rikumbi sempre acreditou no poder da coletividade. Inspirava-se no provérbio xhosa “Umuntu, ngumuntu, ngabantu” — “uma pessoa só é uma pessoa por causa das outras pessoas” — e fazia disso sua prática diária.
Na Rede de Economia Criativa Brasil, sua voz foi essencial para fortalecer a diversidade cultural e a inclusão como pilares da inovação. Ela nos lembrava que não há economia criativa sem justiça social, sem pluralidade e sem respeito às raízes.
Homenagem
Mona Rikumbi dizia: “Hoje eu faço aquilo que eu quero, do jeito que eu quero e no formato que eu quero. Eu sei dizer não, sei dizer sim. Sei ser convidada e entrar, e quando eu não sou convidada, eu me convido.”
É com essa força que sua memória seguirá viva entre nós. Sua passagem não é um fim, mas um chamado para que continuemos a abrir caminhos, ocupar espaços e celebrar a vida com coragem e beleza.
Legado para a Rede
Na Rede de Economia Criativa Brasil, Mona Rikumbi será sempre lembrada como símbolo de resistência, ancestralidade e inovação. Sua presença no Conselho Consultivo nos inspirou a pensar além das fronteiras da arte e da economia, e a construir um futuro mais inclusivo e humano.
Mona Rikumbi é eterna. Seu sol continuará iluminando cada passo da economia criativa brasileira e as ações da Rede de Economia Criativa Brasil.
