I Encontro Brasileiro de Observatórios de Economia Criativa, marcou o lançamento oficial da Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa.

Se em algum momento no passado recente podíamos nos ressentir da falta de dados para a construção de melhores políticas públicas para a economia criativa, é certo que após o lançamento da Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa essa lacuna será preenchida com alta qualidade.
O I Encontro Brasileiro de Observatórios de Economia Criativa marca o lançamento oficial da Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa – Rede OBEC e a apresentação da versão em português do Framework for Cultural Statistics 2025, da UNESCO.
No evento, que aconteceu em 18 de maio de 2026, no Itaú Cultural (SP), também foi anunciada uma parceria entre a Secretaria de Economia Criativa (SEC/MinC) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o fomento à pesquisa em economia criativa no Brasil, no valor de R$ 2 milhões.
Principais pontos abordados no encontro:
- Apresentação da iniciativa e criar uma rede nacional para integrar diferentes observatórios voltados à economia criativa.
- Discussão sobre a importância da economia criativa no desenvolvimento cultural, social e econômico do Brasil.
- Troca de experiências entre representantes de universidades, centros de pesquisa e instituições que já atuam na área.
- Ênfase na necessidade de fortalecer políticas públicas e estratégias de inovação ligadas à cultura e criatividade.
- O evento funcionou como espaço de articulação e cooperação entre pesquisadores e gestores interessados em consolidar esse campo.
Registro da Programação – A seguir um resumo das falas e abordagens dos convidados. Fica muito claro que a Secretaria de Economia Criativa na pessoa da Sra. Cláudia Leitão e sua equipe tem feito um esforço significativo – em tão pouco tempo – para implementar a Rede dos Observatórios da Economia Criativa. Para fazer a “roda girar” é preciso conexões ativas e a secretaria tem se demonstrado eficiente e eficaz nessa empreitada.
Abertura Institucional

Claudia Leitão – A secretária de Economia Criativa do MinC, destacou a importância da construção de uma infraestrutura nacional de inteligência cultural, capaz de integrar produção de conhecimento, monitoramento e participação social. Segundo ela, o encontro representa um marco para a consolidação da economia criativa como política de desenvolvimento no país.
“Este é um momento histórico. Costumo dizer que precisamos de letramento sobre economia criativa. Precisamos explicar o que é economia criativa diante de tantos ruídos, enganos e dificuldades nessa construção conceitual. Essa é uma tarefa dos observatórios no Brasil”, afirmou.
A secretária também ressaltou que o fortalecimento dos observatórios é fundamental para a construção de políticas públicas baseadas em evidências. “A nossa tarefa, ao criar uma rede e desejar ser um hub nacional de inteligência cultural, é realmente produzir uma gestão por evidências. Não é possível construir políticas públicas eficazes sem dados confiáveis, pesquisas consistentes e informações validadas sobre a realidade dos territórios, dos trabalhadores da cultura e dos setores criativos”, disse.

Jader Rosa (Fundação Itaú) – em sua fala ele trouxe uma visão de articulação, legitimidade dos dados e valorização da diversidade cultural como pilares para o fortalecimento da economia criativa no Brasil.
• Veruska Machado – reitora do Instituto Federal de Brasília (IFB), destacou alguns pontos centrais como Inclusão e diversidade: reforçou que a economia criativa deve ser pensada como instrumento de inclusão social, valorizando a pluralidade cultural e os grupos historicamente marginalizados.
Educação como base: apontou que o IFB tem papel estratégico na formação de profissionais e pesquisadores voltados para a economia criativa, conectando ensino, pesquisa e extensão.
Participação social: defendeu que os observatórios precisam dialogar com comunidades locais, garantindo que os dados reflitam realidades diversas e não apenas grandes centros urbanos.
Sustentabilidade e inovação: ressaltou que a economia criativa deve estar alinhada com práticas sustentáveis e inovadoras, contribuindo para o desenvolvimento equilibrado dos territórios.
Compromisso institucional: afirmou que o IFB se coloca como parceiro ativo da rede, oferecendo suporte acadêmico e científico para consolidar políticas públicas culturais.
Cristiane Alves (Firjan) – posicionou o Observatório Firjan como um instrumento estratégico para conectar dados, inovação e sustentabilidade, fortalecendo tanto o setor empresarial quanto as políticas públicas lembrando que os primeiros dados da economia criativa no Brasil foram organizados pela Firjan.
Jane Diehl (OEI) – Integração Ibero-americana: ressaltou que a OEI trabalha para conectar políticas culturais e criativas entre países da região, fortalecendo a cooperação internacional entendendo a Economia criativa como vetor de desenvolvimento: destacou que cultura e criatividade são motores de inovação, inclusão social e sustentabilidade, e que precisam ser incorporados às agendas de desenvolvimento. Entende que a educação é aliada estratégica da economia criativa, formando cidadãos e profissionais capazes de transformar territórios.
Mencionou ainda iniciativas da OEI voltadas para indústrias culturais e criativas, rotas culturais e turismo sustentável, mostrando como esses projetos dialogam com políticas públicas locais além do compromisso com diversidade reforçando que a economia criativa deve refletir a pluralidade cultural ibero-americana, valorizando identidades e patrimônios regionais.
Isabel de Paula (Unesco Brasil) – trouxe uma visão de dados como base para políticas culturais, integração internacional e valorização da diversidade, posicionando a UNESCO como parceira estratégica na consolidação da Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa enfatizando a importância do Marco internacional de referência: (Framework for Cultural Statistics 2025 (FCS 2025)) como instrumento metodológico para medir cultura e criatividade de forma comparável internacionalmente.
Luciana Gomes – CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) – Ela ressaltou que o CNPq reconhece a economia criativa como área estratégica de pesquisa, articulando ciência, tecnologia e cultura e que o CNPq está comprometido em apoiar projetos e redes de pesquisa voltados para indicadores culturais e criativos, fortalecendo a produção acadêmica. Enfatizou a importância da parceria entre o CNPq e o Ministério da Cultura para consolidar a Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa apontando que o incentivo à formação de jovens pesquisadores é essencial para garantir continuidade e inovação nas análises sobre economia criativa. Reforçou que o CNPq pode contribuir para estruturar uma base de dados científica e confiável, que servirá de referência para políticas públicas.
Atividade 1 – Lançamento do livro FCS 2025
Cláudia Leitão (Secretaria de Economia Criativa/MinC) destacou a importância de ter o Framework for Cultural Statistics 2025 traduzido e adaptado ao Brasil.
Apresentou o FCS – Manuel Alcaino – UNESCO

O lançamento foi apresentado como marco para consolidar indicadores culturais e dar base científica às políticas públicas.
Em síntese, Manuel Alcaino – online – apresentou o FCS 2025 como ferramenta estratégica para medir cultura e criatividade, defendendo sua adoção como passo essencial para alinhar o Brasil a padrões internacionais.
Estrutura Geral
O FCS 2025 é um modelo internacional de estatísticas culturais, criado para medir e comparar dados sobre cultura e criatividade entre países. Ele organiza indicadores em dimensões principais: produção, consumo, emprego, participação cultural e comércio internacional de bens e serviços culturais.
Principais Inovações
Ecossistema Cultural e Criativo: amplia a visão tradicional, incluindo não apenas indústrias culturais (como música, cinema e artes visuais), mas também setores híbridos ligados à tecnologia, inovação e patrimônio.
Modelo de Criação de Valor: propõe analisar como a cultura gera valor econômico, social e simbólico, indo além da lógica de mercado.
Diversidade e inclusão: incorpora indicadores que medem participação de grupos sociais diversos, garantindo representatividade cultural.
Sustentabilidade: conecta cultura e criatividade às agendas de desenvolvimento sustentável, reconhecendo seu papel em inovação e coesão social.
Comparabilidade internacional: permite que países alinhem suas estatísticas culturais a padrões globais, facilitando cooperação e troca de experiências.
Relevância para o Brasil
A tradução e adoção do FCS 2025 fortalece a Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa, oferecendo uma base metodológica sólida.
Ajuda a legitimar dados nacionais e a embasar políticas públicas culturais com evidências confiáveis.
QRCode para as versões em português dos dois livros

Atividade 2 – Mesa: A rede e seus pontos
Participaram representantes de universidades (UFBA, UFRJ, UFMG) e observatórios regionais.
O debate girou em torno da estruturação da Rede Brasileira de Observatórios de Economia Criativa, com foco em metodologias comuns, integração de dados e capilaridade territorial.
Gabriel Chati (MinC) explicou que o Observatório Celso Furtado coordenará a rede, articulando com o Sistema Nacional de Cultura e o SNIIC.
A mesa enfatizou pluralidade de olhares e legitimidade dos dados como pilares da rede.
Atividade 3 – Painel 2: Cidades criativas e diversidade

- Reuniu gestores de cidades brasileiras que integram a rede da UNESCO de Cidades Criativas (como Salvador e Santos).
- Foco nas experiências locais de promoção da diversidade cultural e inovação urbana.
- Exemplos: projetos de gastronomia, música e artes visuais como motores de desenvolvimento sustentável.
- A fala comum foi que cidades criativas precisam de políticas inclusivas e dados para medir impacto social e econômico.
Atividade 4 – Painel 3: Territórios, governança e participação

- Representantes de observatórios regionais (como OBEC-BA) e gestores estaduais.
- Debate sobre governança colaborativa e participação social na formulação de políticas culturais.
- Destacou-se a necessidade de envolver comunidades locais e movimentos culturais na produção de dados.
- Foi ressaltado que a rede deve garantir diversidade territorial e representatividade, evitando concentração apenas em grandes centros.
Equipe Secretaria

Cobertura e fotos – Rose Meusburger