REC – Brasil participa da Cerimônia de Certificação dos Pontos de Cultura de São Paulo: Celebrando o Fazer Cultural e Apontando Caminhos para a Acessibilidade Cultural.
A Rede de Economia Criativa (REC) Brasil esteve presente na Cerimônia de Certificação dos Pontos de Cultura da Política Nacional Cultura Viva da cidade de São Paulo, realizada na terça-feira, 22 de julho, na Praça das Artes. O evento, que reconheceu o trabalho vital de 257 coletivos, entidades culturais e bibliotecas comunitárias, sublinha a importância de fortalecer a base da produção cultural na capital paulista. A REC- Brasil foi representada por sua presidente, Djane Borba, e por Mona Rikumbi, membro do Conselho Consultivo, cuja presença reforçou a representatividade de artistas e ativistas no debate cultural.
A iniciativa, coordenada pela Secretaria Municipal de Cultura, destaca o papel fundamental desses grupos na promoção da cultura, da memória, da cidadania e da participação social em diversas regiões da cidade – abrangendo periferias, centros culturais independentes e bibliotecas comunitárias. Essa certificação, embora simbólica e institucional, consolida a atuação desses agentes como pilares para a construção de uma política cultural mais descentralizada e inclusiva.
Para Djane Borba, presidente da REC – Brasil, a entrega desse certificado representa um importante marco: “Ver a REC – Brasil reconhecida neste evento nos mostra que estamos no caminho certo. É um incentivo para continuarmos trabalhando pela valorização dos artistas e fazedores de cultura como agentes essenciais da economia criativa, impulsionando o desenvolvimento e a inovação em nosso setor. Além da parte institucional, que é crucial, é muito bom estar entre os iguais e ver tantos coletivos e entidades comprometidos com a construção da cultura. O tempo foi curto, mas a possibilidade de nos encontrarmos e celebrar essa rede é inspiradora.”





A Política Cultura Viva e a Injeção de Fomento na Cultura Paulistana
A certificação dos Pontos de Cultura é parte integrante da implementação local da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), que direcionou recursos federais para a execução municipal. No total, foram destinados R$ 12,1 milhões, com prêmios de R$ 60 mil para entidades com CNPJ e R$ 30 mil para coletivos informais e bibliotecas comunitárias. Os pagamentos aos contemplados foram realizados no início de 2025, um incentivo tangível que impulsiona a continuidade e o crescimento dessas iniciativas.
A cerimônia, que reuniu um grande número de fazedores de cultura, teve sua abertura oficial conduzida por Pedro Leão, Coordenador de Fomento e Cidadania Cultural da Secretaria Municipal de Cultura. Em sua fala, Leão ressaltou que o pedido para que a Secretaria mantivesse “portas abertas” e focasse os avanços da “margem para o centro” veio diretamente do secretário municipal de cultura José Antonio Silva Parente. Ele enfatizou a importância de reconhecer o trabalho daqueles que “abriram as avenidas por onde a gente transita” na cultura, mas também fomentar a entrada de novos agentes, anunciando que o setor de fomento realizará a maior injeção de recursos já vista, reforçando a adesão da Secretaria Municipal ao programa Cultura Viva e à Política Nacional Aldir Blanc.
Em seguida, Alessandro Cézar Araújo Azevedo, Coordenador do Escritório Estadual do Ministério da Cultura em São Paulo, saudou os Pontos e Pontões de Cultura, identificando-se como um “ponteiro raiz” mesmo em sua posição institucional. Ele reforçou a importância de aproximar as instituições dos fazedores de cultura, destacando esse como um diferencial do Cultura Viva: a valorização da atuação nos territórios e o reconhecimento do poder público a esses agentes culturais.
Por fim, José Antonio Silva Parente, Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, concluiu as falas protocolares, parabenizando os presentes e afirmando que “são vocês que fazem o movimento da Cultura Viva.” O Secretário fez questão de citar sua própria trajetória como militante do movimento estudantil, enfatizando que é dessa forma e desse lugar que ele compreende a importância e o impacto de cada um dos presentes na construção cultural da cidade.





A Visão da REC – Brasil: Além da Celebração, o Olhar para a Acessibilidade Cultural e o Encontro de Redes
A participação da REC – Brasil na cerimônia foi marcada não apenas pela celebração dos avanços, mas também por um olhar atento aos desafios e oportunidades para uma cultura verdadeiramente acessível. Djane Borba e Mona Rikumbi aproveitaram a ocasião para dialogar diretamente com as autoridades presentes.
A economia da cultura é um motor significativo para o desenvolvimento socioeconômico, gerando empregos e renda, e por isso, a diversidade e a acessibilidade devem ser pilares em todas as etapas do processo, desde a concepção de políticas até a execução dos projetos.
Mona Rikumbi, cuja presença como primeira mulher negra a atuar no municipal de São Paulo e ativista PCD é de extrema importância para a REC-BR, expressou uma preocupação crucial durante o evento. Ao analisar o relatório final do programa, foi notada uma passagem muito breve sobre a participação de pessoas com deficiência e da população 50+, grupos que são extremamente ativos no cenário cultural. Além disso, a ausência de um intérprete de Libras no evento também foi um ponto de atenção.
A REC – Brasil, por meio de suas representantes, fez questão de levar essas considerações e questionamentos sobre a acessibilidade dos Pontos e Pontões diretamente à Pedro Leão e Alessandro Azevedo. O diretor de fomento demonstrou-se bastante interessado no assunto, tomando notas e disponibilizando seu contato para que a demanda fosse formalmente encaminhada. Esse diálogo direto, ilustrado pelas fotos acima, das representantes da REC – BR com as autoridades, é fundamental para que as políticas públicas avancem em direção a uma maior equidade.
Para a REC – Brasil, que atua como militante da economia criativa, a certificação é um reconhecimento do trabalho de base, mas é essencial que o foco não se restrinja a elogios institucionais. O trabalho das secretarias e órgãos públicos, embora meritório, é intrínseco às suas funções.
A rede busca um diálogo contínuo que assegure que a cultura viva seja de fato para todos, todas e todes garantindo que as vozes e necessidades de todas as parcelas da sociedade sejam não apenas ouvidas, mas ativamente incorporadas nas futuras etapas de fomento e apoio cultural. É nesse contexto de encontro e troca entre os agentes culturais, como pudemos observar pelas fotos da plateia e de nossas representantes, que a força da Política Cultura Viva se manifesta. Muitos desses Pontos de Cultura, com sua atuação enraizada nos territórios, chegam onde o próprio Estado muitas vezes não consegue, e por isso, as parcerias e o reconhecimento são tão importantes. A Rede de Economia Criativa Brasil reitera seu compromisso com o fomento de um ambiente cultural dinâmico, acessível e verdadeiramente representativo da pluralidade de São Paulo.
